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id da página: 3509 Normand Cinco Elementos

Normand Cinco Elementos

Henry Normand — Os Mestres do Tao

OS CINCO ELEMENTOS

Situando os Cinco Soberanos no tempo, esse preâmbulo demonstra que a ancestralidade não depende de uma génese propriamente dita, mas de uma lógica inerente ao pensamento chinês, uma quase representação sistemática da Natureza. 0 Universo, o tempo, o espaço, o corpo humano, em suma, tudo o que pode ser imaginado é tributário dos elementos, que, seguindo o trajeto do Sol, são os seguintes:

Quadro das Correspondências com os Cinco Elementos

UNIVERSO Elementos

Madeira

Fogo

Terra

Metal

Água

Pontos cardeais

Leste

Sul

Centro

Oeste

Norte

Emblemas

Estrelas

Sol

Terra

Casas

Lua

Estações

Primavera

Verão

 

Outono

Inverno

Elaborações

Embelezamento

Exuberância

Abundância

Retração

Severidade

Climas

Vento

Calor

Umidade

Seca

Frio

Funções

Reaquecer

Aquecer

Conciliar

Refrescar

Gelar

Intempéries

Tempestade

Incêndio

Inundação

Secura

Granizo

Alterações

Tormenta

Fogueira

Fluxo

Rigor

Gelo

Ações

Abrandar

Crescer

Fartar

Amadurecer

Endurecer

Gênios dos Pontos Cardeais

Keou-mang

Tchou-jong

Heou-t'ou

Jou-Cheou

Hiuan ming

Soberanos

Fou-hi

Chen-nong

Houang-ti

Chao-hao

Tchouan-hiu

Números

8

7

5

9

6

HOMEM

Vísceras

(quatro correspondências)

Fígado

Baço

Fígado

Coração

Coração

Pulmões

Pulmões

Baço

Baço

Coração

Coração

Pulmões

Pulmões

Fígado

Bílis

Rins

Rins

Rins

Rins

Fígado

Fisiologia

Músculos

Sangue

Carne

Epiderme

Ossos e Medula

Atividades Humanas

Visão

Fala

Vontade

Audição

Gesto

Estados

Sabedoria

Ordem

Santidade

Entendimento

Gravidade

Sabores

Ácido

Amargo

Doce

Azedo

Salgado

Cores

Verde

Vermelho

Amarelo

Branco

Preto

Reações

Comprimir

Agitar-se

Arrotar

Tossir

Tremer

Odores

Rançoso

Queimado

Perfumado

de carne crua

de podridão

Humores

Chamar

Rir

Cantar

Lamentar-se

Gemer

Notas

Kio

Tche

Kong

Chang

Yu

Sentidos

Olhos

Língua

Boca

Nariz

Orelhas

Sentimentos

Cólera

Alegria

Reflexão, Vontade

Melancolia, Tristeza

Temor

Paixões

Alegria

Prazer

 

Pena

Cólera

Ações

Distribuir

Esclarecer

Acalmar

Estimular

Imobilizar

Virtudes

Conciliação

Exuberância

Impregnação

Integridade

Frio

Virtudes

Bondade

Espírito ritual

Santidade, Boa Intenção

Eqüidade

Sabedoria, Sapiência

Animais

Peludos

Emplumados

Nus

Encouraçados

Providos de Escamas

Animais

Escamas

Penas

De pele nua

Com pêlos

Revestimentos Sólidos

Animais domésticos

Carneiro

Frango

Boi

Cão

Porco

Vegetais

Trigo

Feijão

Painço branco

Sementes Oleaginosas

Painço amarelo

Partes da casa

Porta interna

Sala de espera

Implúvio

Grande porta

Alameda (ou poços)

Esse quadro só foi apresentado a título indicativo, pois não é possível separar o jogo dos elementos do contexto que os situa em um plano determinado. Por exemplo, o capítulo XIX do Nei jing su wen indica que a "cólera" age em detrimento do "fígado", a "alegria", em detrimento do "coração", a "melancolia", em detrimento dos "pulmões", a "reflexão", em detrimento do "baço" e o "temor", em detrimento dos "rins". Da mesma forma, os gostos se destroem entre si segundo um sistema de associação: o que é azedo combate o ácido, o ácido combate o doce, o doce combate o salgado, o salgado combate o amargo e o amargo combate o que é azedo. Esse sistema pode ser apresentado de forma esquemática:

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Mas a função dos gostos ultrapassa essa questão. O que é azedo fere a epiderme, o ácido fere os músculos, o doce fere o baço, o salgado prejudica o sangue e o amargo, o K'i (respiração).

Na realidade, cada correspondência deve ser estudada de maneira atenta e as contradições aparentes precisam ser elucidadas, a fim de que se compreenda o seu mecanismo interno. Percebemos, por exemplo, que os animais dotados de penas são enquadrados na categoria do elemento fogo. Sabendo que o ar não existe no contexto chinês, torna-se necessário, por conseguinte, situarmo-nos nesse ponto de vista. Mas, se o pássaro de fogo se aproxima da fénix, é possível, neste caso, conceber o pássaro em relação com o elemento água, em seguida, com o elemento terra, e assim por diante. Cada aspecto assume então um valor complementar. Por último, estando a virtude em concordância com a própria Natureza, esta continua a ser a pedra de toque de maior validade: o Sol se levanta a leste, assim como a primavera desperta os rebentos adormecidos pelo inverno.

— a leste ... a madeira,

— ao sul ... o fogo,

— a oeste ... o metal,

— ao norte ... a água,

— no centro ... a terra.

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Não se deve confundir esses elementos com os de outras tradições representadas pelo fogo, pela terra, pelo ar e pela água! Como o éter central não é composto, não pode constituir um elemento; ele é, ao mesmo tempo, centro intangível de coesão e meio ambiente. Portanto, a China impôs aos elementos uma modificação que lhe é característica: o ar é substituído pela madeira, e o éter, pelo metal — dois aspectos que dependem do domínio do céu. Evidentemente, a descrição "elementar" chinesa se dirige apenas para a manifestação terrestre e, para acentuar esse ponto, a terra (o Imperador Amarelo Houang-ti) se encontra situada no centro. Tal fato subentende que o céu tem, por sua vez, elementos que marcam o tríplice tempo — passado, presente e futuro —, apresentando, além disso, a sua unidade simbolizada pela água.

Por conseguinte, só é possível interpretar os textos chineses através da consideração dos dois métodos de leitura (Céu e Terra), assim como através da sobreposição desses dois métodos, já que são indissociáveis; a relação entre eles é constituída pelo tempo e pelo espaço. A descrição tardia dos cinco elementos chineses, mais particularmente desenvolvida nos séculos IV e III a.C, permite pressupor a existência de uma influência anterior — provavelmente vinda da índia —, o que parece confirmar a presença de elementos comuns (como o fogo, a terra e a água) que não sofreram nenhuma variação em sua denominação. No tratado de acupuntura Nei jing su wen, colocado sob a égide de Houang-ti, certas passagens só se tornam compreensíveis através do jogo dos elementos metafísicos, tais como são utilizados na Índia.

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Por seu grafismo, o ideograma primitivo Tchin (o metal) conserva o simbolismo do éter, guardando a pureza original do princípio dos elementos. Ele é constituído por três níveis horizontais unidos por uma linha vertical, abrindo, dessa forma, quatro setores; cada um desses setores é ilustrado por um ponto e o conjunto é recoberto por um "telhado" da casa. Assim sendo, o metal resume todo o jogo dos elementos; quanto ao quinto ponto, está fundido, invisível no centro do símbolo, refletindo com clareza o éter ao qual substituiu. Os três níveis, a exemplo dos Três Augustos, marcam a tríade Céu-Homem-Terra, sobre a qual se aplicam os quatro elementos. Os oito trigramas de Fou-hi — assim como os do rei Wen — põem em prática o jogo dos três níveis e dos quatro elementos, desenvolvendo uma infinidade de combinações que podem ser reencontradas no I Ching (O livro das mutações).

No sistema chinês, a terra pode ser fonte de confusões. Para o bom entendimento dos textos, é necessário distinguir o elemento situado no centro do conceito quaternário oposto ao céu, sendo este último composto de todos os elementos ao mesmo tempo, como vimos na descrição do "altar do Sol". Somente o contexto permite que se distingam as duas funções que eventualmente se fundem, fusão essa que dificulta a abordagem.

Como os elementos constituem os princípios reveladores, os Soberanos, no uso de suas funções, não são heróis épicos ou deuses, mas sábios que — dotados de tantas qualidades que mantêm correspondência com o número cinco — asseguram a felicidade do povo. Contudo, cada Soberano (ou elemento) se encontra ligado aos outros à medida que exerce uma prevalência sobre o seu sucessor imediato e à medida que se sujeita a uma dominação de seu predecessor — a exemplo da madeira que queima em contato com o fogo, fogo que toma rubro o metal, que é temperado na água, que nutre a terra, sobre a qual se desenvolve a madeira, etc. Trata-se, na verdade, de uma abordagem alquímica que, no decorrer dos séculos, assumiu uma importância crescente. Esse modo de pensamento quinário, físico e fundamentado na metafísica, devia inevitavelmente desembocar em ciências materiais: metais, porcelanas, cores, música, governo, estratégia e muitas outras.

Por conseguinte, não se trata, para os chineses, de seus ancestrais históricos, mas dos "ancestrais, os elementos". Conseqüentemente, se está desprovida da noção simbólica, a tradição chinesa é inteiramente hermética; a veracidade e o bom-senso, segundo o procedimento antigo da metáfora, devem ser procurados atrás do enunciado.

Diz-se a propósito de Yu, o fundador da Dinastia dos Hia:

"Sua voz era o padrão dos sons e seu corpo, o padrão das medidas de comprimento. Ele dispunha de modo perfeito os seis domínios da Natureza. Ele percorreu os quatro pontos cardeais, a fim de assinalar os limites do mundo e da China."

Narrações como essa recorrem necessariamente à imagem, outra particularidade do caráter chinês.